Drogas, dependentes químicos, comunidade terapêutica: CTDQ/PCJ

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Drogas, dependentes químicos, comunidade terapêutica: CTDQ/PCJ

Silvestre Falcão Santana e Regina Célia Felix Loureiro

Neste Dia Internacional de Combate às Drogas (26 de junho), preferimos tratar do assunto da Dependência Química, hoje reconhecida pela Organização Mundial de Saúde – OMS, como uma doença. O uso de drogas tem se tornado algo alarmante e de extrema necessidade de atenção por parte das famílias e dos órgãos públicos principalmente no que se refere a saúde e a justiça. Quanto mais se aumenta o número de usuários e suas conseqüências, infelizmente percebemos que não se aumenta na mesma proporção o número de assistência por parte do governo. A falta de prevenção a crianças e jovens, a falta de orientação aos familiares e a falta de capacitação aos profissionais, são fatores que levam a desorientação e a abordagens inadequadas em relação a esta questão. O abuso das drogas além de levar a prejuízos ao indivíduo,  também faz ocorrer prejuízos a sociedade em geral, onde não só o usuário se torna refém de suas conseqüências, mas também todos que estão ao seu redor. Ao passar do tempo esses prejuízos vão se estendendo a perdas, derrotas, tragédias e a morte. Ainda que o indivíduo comece no uso drogas por curiosidade ou influência dos colegas, o seu uso contínuo o faz abusar das substâncias psicoativas consumidas, e ainda tem a probabilidade de substituir uma droga leve para uma mais pesada. Através deste hábito, o seu cérebro vai adquirindo uma dependência pela substância de uso, o que produz a doença da dependência química, que é de ação compulsória. A OMS considera a dependência química como uma disfunção cerebral, portanto ela deve ser tratada como doença. Diante da calamidade que esta doença causa, se comprova que ela é de ordem progressiva, incurável e fatal. Progressiva, porque ela e suas conseqüências se agravam com o abuso contínuo; incurável, e por  isso deve-se buscar o controle através de tratamento; e fatal pois o caminho dela, é instituição, cadeia ou cemitério. Existem várias formas de controle e tratamento para esta doença que tem como objetivo  ajudar o adicto de acordo com o momento e a gravidade em que ele se encontra. Uma das formas de ajuda é a Comunidade Terapêutica que surgiu dos próprios usuários. Conceito este aplicado pelo psiquiatra Maxwell Jones. A partir da déc de 50 ela ganhou força, se configurando como um tratamento baseado na aprendizagem social através da convivência de pares que tinham o propósito de alcançar um novo estilo de vida, através das normas de convivência e da disciplina. O tratamento nas Comunidades Terapêuticas é feito através do compartilhamento, espiritualidade e honestidade.


COMUNIDADE TERAPÊUTICA

Centro de Tratamento para Dependentes Químicos – “Pequena Comunidade de Jesus” -  - CTDQ/PCJ.

O CTDQ/PCJ, foi inaugurado em 28 de março de 2009, tendo iniciado suas atividades em 01 de abril de 2009, com a adesão de 12 (doze) residentes, do sexo masculino, maior de 18 anos, dependentes de álcool e outras drogas.  Hoje o CTDQ/PCJ está atendendo a 20 residentes em regime de internação e ainda a 16 dependentes químicos que cumpriram o Programa Terapêutico de 09 meses, e estão inseridos na família e no trabalho mantendo-se na abstinência e na sobriedade. O Programa Terapêutico do CTDQ/PCJ está fundamentado no Programa de 12 (doze) Passos, na Espiritualidade e nas Teorias Biopsicossocial. O Programa define as modalidades de tratamento, os critérios de elegibilidade, as regras de funcionamento, bem como metodologia e técnicas que são adotadas pela equipe Interdisciplinar, no tratamento dos residentes e de seus familiares, embora na condução desse Programa, os profissionais associam diferentes conhecimentos, de acordo com suas experiências específicas. Tem por objetivos específicos: conduzir e efetivar o processo de desintoxicação - identificar os fatores internos e externos que desencadearam o processo de dependência química para possibilitar o restabelecimento dos relacionamentos sociais, familiares e consigo mesmo - envolver os residentes em atividades que possam conduzir ao auto- conhecimento e ao processo de transformação interior, afetiva e sócio-familiar - resgatar e fortalecer a auto-estima e a autoconfiança - instrumentos terapêuticos, que possibilitem a revisão de valores e o amadurecimento - promover eventos para estimular a participação efetiva da família no processo de tratamento e o com isso o resgate sócio-familiar - despertar por meio da convivência fraterna um Deus que é capaz de restaurar vidas - utilizar instrumentos metodológicos que possibilitem a melhoria dos relacionamentos interpessoais, como também resgatar e fortalecer a espiritualidade em busca da essência do individuo - viabilizar a re-inserção do residente na sociedade, após a alta - acompanhar por meio de projetos específicos aos familiares buscando identificar o processo de desenvolvimento da dependência química e promover orientação de convivência. O CTDQ/PCJ,  como princípio evita  o uso de medicamento, sem no entanto deixar de considerar os casos onde o medicamento se faz necessário. Mantém a abstinência no processo de  desintoxicação, que é obtida por meio de dietas, laborterapia, esportes e exercícios físicos e a sobriedade com adoção de uma pedagogia espiritual e psicológica, que atuam na reformulação do caráter e comportamento. As modalidades de tratamento se dividem em: RESIDÊNCIA - A residência no CTDQ/PCJ  é de nove meses. REINSERÇÃO SOCIAL – se dá após 07 meses de internação, por meio de avaliação do “Processo Terapêutico” do residente. PÓS TRATAMENTO -  Após cumprirem a residência de nove meses, ocorre o oferecimento de Manutenção de Tratamento, que é efetuado no próprio CTDQ/PCJ. ACOMPANHAMENTO FAMILIAR – Ocorre duas vezes ao mês para os familiares que estão com dependentes em tratamento. Após o cumprimento de nove meses, também é oferecido  o acompanhamento familiar. O CTDQ/PCJ possui um Coordenador Geral que é responsável pela administração do programa terapêutico e pela administração da instituição, uma coordenadora administrativa;  dois Orientadores Sociais (monitores), um Auxiliar de Serviços Gerais, um Advogado e  um Contador  que apóiam as atividades legais relativas ao Centro, quatorze Conselheiros que compõem a  Equipe Interdisciplinar (psicólogo, médico, pedagogo, terapeuta, fonoaudiólogo, assistente social, psicanalista, religiosos,dentre outros), que constituem o pessoal de apoio clínico, ou seja, oferecem serviços integrados aos planos de tratamento dos residentes., a qual o CTDQ/PCJ, denomina de Conselheiros dos Grupos de Encontros e Conselheiros de F.S.D (folha de sentimento diário).  O CTDQ/PCJ é mantido totalmente por DOAÇÕES – materializada pela generosidade dos irmãos.  “Conforme a comunidade terapêutica (CT) continua a evoluir como serviço humanitário básico, ela vai se modificando, reformulando a composição de seu quadro de funcionários, alterando sua abordagem e, em certa medida, ajustando suas metas. Essas mudanças são esperadas e consistentes com o próprio ensinamento da CT, que enfatiza que a única certeza na vida é a mudança.”(DE LEON, 2003). Dessa forma o CTDQ/PCJ, vem criando a sua própria metodologia de trabalho, estando como uma alternativa efetiva de tratamento dos dependentes de substâncias psicoativas, bem como no acompanhamento de seus familiares. De 2009 a 2011 passaram pelo CTDQ/PCJ cerca de 69 dependentes químicos, dos quais 33% concluíram o Programa Terapêutico de nove meses. Dentre os que concluíram o tratamento 66% encontram-se na abstinência e na sobriedade. A força fundadora da Comunidade de Aliança “Pequena Comunidade de Jesus’ – PCJ, que resultou na construção do Centro de Tratamento para Dependentes Químicos – CTDQ, é Silvestre Falcão, formado em Psicologia no ano de 1994. Há mais de 25 anos ele empreendeu os trabalhos com Dependentes Químicos em Cachoeiro de Itapemirim/ES, cidade onde nasceu em 19 de dezembro de 1967”. A Estrutura Organizacional do CTDQ/PCJ  é composta de Equipe Interdisciplinar e Equipe Técnica, sendo que não podemos deixar de registrar que todos contribuem com o Centro VOLUNTARIAMENTE. È importante ressaltar a importância do Orientador Social (monitor) no processo do cumprimento do Programa, como também a participação dos residentes na rotina diária das instalações, sendo eles os protagonistas no processo de tratamento e recuperação propostos pelo Programa.